Grande imprensa tenta justificar os juros altos

Compartilhe:

Neste sábado, setores da grande imprensa noticiaram a inflação (IPCA) de 0,84% em fevereiro, como uma justificativa para que o Banco Central mantenha os juros altos, na sua próxima reunião do COPOM (Comitê de Política Monetária), a ser realizada nos dias 21 e 22 de março de 2023.

Porém, quando analisamos as causas desta inflação, verificamos que a principal delas foi o setor de educação privado, que em fevereiro costuma reajustar as mensalidades de acordo com a inflação do ano anterior, ou seja, não se trata de uma suposta demanda aquecida por produtos ou serviços.

Se incluirmos também na análise outros itens que também são indexados à inflação anterior (aluguéis, planos de saúde), além dos alimentos e preços administrados pelos governos (gasolina, energia elétrica residencial, emplacamento e licença de automóveis, telefonia, internet, taxa de água e esgoto), verificamos que este conjunto foi responsável por 82% da inflação de fevereiro.

Ou seja, não se combate este tipo de inflação com juro alto, mas com a priorização da agricultura familiar (e não a agricultura de exportação, deixando o preço dos alimentos ao sabor dos preços internacionais e de fatores climáticos) e redução dos preços dos combustíveis, acabando com o nefasto PPI (Preço de Paridade de Importação), que define o preço dos combustíveis de acordo com o preço dos importados, apesar de podermos produzir todos os nossos combustíveis aqui dentro.

Juros altos representam uma das grandes ilegitimidades da dívida pública (que deveria ser auditada com a participação da sociedade) e travam a economia do país, que por isso apresenta um PIB (Produto Interno Bruto) comparável ao de 2014, e uma renda média dos trabalhadores comparável à vigente há 10 anos.

Desta forma, mesmo uma pequena redução da Selic em 0,25%, 0,5% ou até 1% não deve alterar significativamente a situação, uma vez que estamos com uma taxa de juros real de mais de 8% ao ano (Taxa Selic de 13,75% com uma inflação de 5,6% nos últimos 12 meses) , enquanto os países desenvolvidos possuem taxas reais fortemente negativas. Desta forma, é muito mais rentável a aplicação de recursos na dívida pública do que em muitos setores da economia real, que sofre com o crédito caro (cuja taxa de juros pode ultrapassar os 1.000% ao ano no cartão de crédito) e agora também com uma crise de crédito decorrente da falência das Lojas Americanas. Os bancos só aceitam emprestar para pessoas ou empresas a taxas de juros altíssimas, uma vez que podem ganhar a Taxa Selic ou mais depositando sua sobra de caixa no Banco Central.

Portanto, mais do que nunca, é preciso auditarmos a dívida pública e aprovarmos o Projeto de Lei Complementar (PLP) 104/2022, decorrente de proposta da Auditoria Cidadã da Dívida e diversas outras entidades, que limita as taxas de juros de quaisquer empréstimos a 12% ao ano, e acaba com a remuneração da sobra de caixa dos bancos.

Participe da Campanha pelo Limite dos Juros no Brasil!

Acesse https://auditoriacidada.org.br/limite-dos-juros/