Enquanto explode o número de pessoas em situação de rua, país prioriza o Sistema da Dívida
O crescimento vertiginoso da população em situação de rua nas capitais brasileiras expõe o custo social de um país conduzido para priorizar o Sistema da Dívida. Segundo dados do Observatório Brasileiro de Políticas Públicas com a População em Situação de Rua (OBPopRua/UFMG), o número de pessoas vivendo nas ruas chegou a 365 mil em dezembro de 2024, um aumento de 11% em apenas um ano — cerca de 38 mil pessoas a mais nessa condição.
O avanço é ainda mais chocante quando se observa a série histórica. Em São Paulo, a maior concentração do país, a população em situação de rua cresceu 26 vezes entre 2012 e 2025. No Rio de Janeiro, o aumento foi de 187 vezes no mesmo período. Todas as capitais registraram alta, evidenciando um fenômeno estrutural, e não pontual.
Para a Auditoria Cidadã da Dívida (ACD), esses números refletem diretamente a opção política de destinar a maior parte do orçamento público federal ao pagamento de juros e amortizações da chamada dívida pública, enquanto direitos sociais são suprimidos. Tetos de gastos, cortes no orçamento de direitos sociais ocorrem ao mesmo tempo em que bilhões de Reais seguem sendo transferidos ao Sistema da Dívida.
Sem enfrentar esse modelo predatório, o Brasil continuará aprofundando a desigualdade social e empurrando parcelas crescentes da população para a extrema pobreza, tendo as ruas como destino final.
