Brasil 247: Crise hídrica não afeta lucro da Sabesp privatizada; prejuízo fica com os municípios

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A privatização da Sabesp pelo governo Tarcísio de Freitas escancara um dos maiores absurdos já vistos na gestão de serviços essenciais no país. O contrato firmado com a URAE-1, que reúne 371 municípios paulistas, garante que a empresa não terá prejuízo algum em caso de crise hídrica. Se faltar água, como é bem provável que aconteça na próxima estiagem, se os reservatórios chegarem a níveis críticos e o abastecimento for reduzido, a Sabesp continuará lucrando. Quem arca com os prejuízos são os municípios e a população, por meio de reajustes e revisões tarifárias.

A cláusula contratual é explícita ao transferir aos municípios os riscos decorrentes da escassez de recursos hídricos, blindando investidores privados. Trata-se de um modelo que transforma um direito essencial em negócio de lucro garantido, mesmo diante de eventos extremos. Não é um desvio, mas a própria lógica da privatização.

O alerta foi feito em artigo publicado no Brasil 247, de autoria do jornalista e deputado estadual Mário Maurici, que expõe com clareza como a privatização blindou a empresa e transferiu o custo da crise hídrica à sociedade.

A Auditoria Cidadã da Dívida sempre criticou esse tipo de arranjo, em que os ganhos são privatizados e os riscos socializados.

Para a ACD e para a Campanha Nacional por Direitos Sociais, água não pode ser tratada como mercadoria nem como aposta financeira. Quando um serviço essencial é organizado para proteger o capital privado, algo está profundamente errado — e quem paga o preço é a população.