Caso Master e Will Bank pode revelar ser a maior crise bancária da história do Brasil, com consequências graves à sociedade

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A liquidação do Banco Master e de seu braço digital, o Will Bank, revela muito mais do que a quebra de uma instituição financeira. O caso escancara uma engrenagem baseada em ativos de baixa qualidade, papeis podres, operações cruzadas e estruturas frágeis que colocam em risco todo o sistema financeiro nacional. O volume de recursos envolvidos e a forma como esses riscos foram distribuídos remetem diretamente ao modelo que levou à crise bancária dos Estados Unidos em 2007 e 2008, quando papéis sem lastro desencadearam um colapso de proporções globais.

Naquele momento, o Brasil sofreu impactos limitados porque ainda mantinha um arcabouço regulatório mais rigoroso. Hoje, o cenário é distinto. O afrouxamento progressivo da regulação financeira abriu espaço para práticas especulativas, inclusive a venda massiva de produtos financeiros sustentados por promessas irreais de segurança e rentabilidade. Para ampliar essa captação, figuras públicas e influenciadores, como Luciano Huck e Vini Jr, foram utilizados como garotos-propaganda, conferindo credibilidade social a estruturas que, na prática, escondiam fragilidades profundas.

A dimensão do problema fica evidente com a atuação do Fundo Garantidor de Créditos. A possibilidade de desembolso de até R$ 46,9 bilhões, até agora, para cobrir clientes do conglomerado Master representa o maior acionamento do FGC já registrado, transferindo para todo o sistema financeiro (e, em última instância, para a sociedade) o custo de operações privadas malsucedidas.

Os efeitos não se limitam ao próprio conglomerado. O Banco de Brasília (BRB) aparece diretamente exposto, com cerca de R$ 1,75 bilhão em ativos relacionados ao Will Bank, o que pode exigir novos aportes públicos para preservar os índices de solvência. Esse encadeamento demonstra como o problema se espalha rapidamente, alcançando bancos públicos e ampliando o risco sistêmico.

O caso Master/Will evidencia um verdadeiro castelo de cartas: ganhos privatizados durante a fase de expansão e prejuízos socializados quando a estrutura entra em colapso. Para a Auditoria Cidadã da Dívida, os sinais indicam que essa crise pode estar apenas começando. Sem regulação efetiva, transparência e responsabilização, sem auditoria com participação popular, o Brasil corre o risco de enfrentar a maior crise bancária de sua história, com impactos econômicos e sociais de longo alcance.