Grande imprensa prossegue alardeando a suposta “explosão” dos gastos previdenciários, mas se cala diante dos trilhões de juros

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O Jornal Valor Econômico voltou a alardear a suposta “explosão” dos gastos com a Previdência Social, alegando que nos próximos 10 anos os benefícios vão crescer R$ 80 bilhões a mais que a arrecadação líquida do INSS, esquecendo de mencionar os diversos fatores que minam o orçamento previdenciário, como a desoneração da folha concedida a grandes empresas que deixam de recolher as contribuições devidas; a falta de condições para o devido combate à sonegação fiscal, além do desmonte dos direitos trabalhistas, com uberização e pejorização.

Na verdade, além de todos esses ataques ao orçamento previdenciário, trata-se de um dever constitucional do Estado e a Previdência possui várias fontes de recursos, podendo contar inclusive com recursos do orçamento fiscal, como manda a Constituição.

A matéria visa claramente induzir leitores a acreditar que seria necessário realizar mais uma contrarreforma da Previdência, o que em ano eleitoral também pode ser entendido como um afago ao mercado financeiro, único que lucra com as infames contrarreformas da Previdência.

Causa espanto a desfaçatez da matéria ao atacar o gasto com uma Previdência que retorna tão pouco a trabalhadores(as) que contribuem durante toda a sua vida laboral, e se calar diante do abusivo gasto com juros pagos ao Sistema da Dívida. A matéria não traz uma linha sequer sobre o fato de o país ter gasto, só em 2025, mais de R$ 1 TRILHÃO com juros da chamada dívida pública federal, uma dívida estéril,  que não tem contrapartida alguma em investimentos no país, como já confirmou o TCU (aqui).

Enquanto não for enfrentado o Sistema da Dívida, continuaremos assistindo a esses ataques infames aos direitos sociais.

#auditoriaja