Conselho Político da ACD reúne dezenas de representantes de entidades para articulação de ações em ano de eleições

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A reunião conjunta do Conselho Político da Auditoria Cidadã da Dívida e da Frente Parlamentar pelo Limite dos Juros, realizada na manhã desta segunda-feira (23/03), reuniu quase 50 representantes de entidades em um importante espaço de articulação e planejamento para 2026. O encontro contou com a participação da deputada Fernanda Melchionna, que coordena a Frente Parlamentar e reforçou a importância da mobilização social para enfrentar o atual modelo econômico.

A análise de conjuntura apresentada por Maria Lucia Fattorelli evidenciou a centralidade do Sistema da Dívida, que está por trás do teto de gastos sociais (arcabouço fiscal); das contrarreformas (Previdência, Administrativa); das privatizações insanas (desde o governo Collor), além de consumir a maior fatia do orçamento (mais de R$ 2,125 trilhões em 2025) e remunerar com os juros mais elevados do mundo! O crescimento acelerado dessa dívida federal que já supera R$ 11 trilhões não tem qualquer contrapartida em investimentos e decorre de juros sobre juros e mecanismos financeiros, como a Bolsa-banqueiro. A exposição mostrou a urgência de investigar  e auditar esse Sistema da Dívida, que prioriza a destinação de recursos prioritariamente para o pagamento de juros, em detrimento dos investimentos sociais. O cenário é agravado pelos erros do Banco Central que tem estabelecido taxas de juros elevadíssimas, sob a falsa justificativa de combater inflação, e demorou demais para agir no caso do Banco Master, escândalo que comprova a urgência de ampla auditoria, e a necessidade de arquivamento imediato da PEC 65.

Fattorelli listou os riscos da proposta de Reforma Administrativa (PEC 38/2025), que atinge toda a sociedade, na medida em que destrói a estrutura de Estado que presta serviços à população, como detalhado no novo folheto produzido pela ACD, pedindo a todos para divulgar o folheto e a ferramenta para envio de carta a autoridades, contra a PEC 38/2025 e também contra o projeto de Resolução do Senado 8/2025, que cria gatilho contra investimentos sociais.

Também foram debatidas estratégias de mobilização, como o fortalecimento das campanhas pelo limite dos juros e pela auditoria da dívida com participação popular, além da organização de importante seminário nacional na Câmara dos Deputados, em 5 de maio, e da ampliação de ações de formação, como o curso a distância sobre o Sistema da Dívida. A reunião ainda tratou da atuação da ACD nas eleições de 2026, com propostas de elaboração de carta/questionário para engajamento da sociedade e cobrança de compromissos dos candidatos.

Ao final, foi reforçada a importância da unidade entre as entidades e da ampliação da mobilização social para enfrentar as distorções do modelo econômico vigente. A ACD agradece a participação de todas as entidades, representantes de Núcleos, voluntários(as), diretoria e equipe, destacando que a construção coletiva tem sido fundamental para o avanço das lutas e alcance dos objetivos da entidade.