Selic ainda em patamar abusivo: Quem ganha com juros tão altos?

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Nesta quarta (17), o Copom (Diretoria do Banco Central) reduziu a taxa Selic em apenas 0,25 ponto percentual. Ainda assim, os juros básicos permanecem em um patamar extremamente elevado, mantendo o Brasil entre os países com os maiores juros reais do mundo.

Enquanto analistas ligados ao mercado financeiro defendem o fim do ciclo de cortes, alegando pressões inflacionárias causadas por fatores climáticos, alta do petróleo e cenário internacional, pouco se fala sobre quem realmente se beneficia da manutenção de juros abusivos: ‘os rentistas e o sistema financeiro’.

O discurso de que “o governo gasta demais” também precisa ser enfrentado. O maior peso sobre as contas públicas não está nos investimentos sociais, mas sim no pagamento de juros e amortizações da dívida pública. A cada 1% de aumento da Selic, mais de R$ 60 bilhões são adicionados aos gastos com juros — recursos que deixam de ser investidos em saúde, educação, moradia, infraestrutura e desenvolvimento.

A Auditoria Cidadã da Dívida (ACD) tem demonstrado, por meio de estudos, que áreas sociais vêm sendo sistematicamente sufocadas por cortes orçamentários, aprofundados desde a EC 95 e mantidos no atual arcabouço fiscal (Lei Complementar nº 200/2023), que limita investimentos essenciais ao desenvolvimento socioeconômico do país.

Esse sucateamento já apresenta efeitos concretos. Segundo o ANDES-SN, os recursos destinados às Instituições Federais de Ensino Superior (IFES), que somavam R$ 16,1 bilhões em 2015 (em valores corrigidos pelo IPCA), despencaram para apenas R$ 7,6 bilhões em 2025. Essa redução drástica compromete a manutenção das universidades públicas e inviabiliza investimentos mínimos necessários ao seu funcionamento.

O Brasil precisa enfrentar esse modelo perverso. Mais de 80 países já possuem limites legais para as taxas de juros. Sem uma trava legal, continuaremos submetidos a uma política monetária que transfere riqueza da sociedade para o setor financeiro.

Chegou a hora de dizer basta aos juros abusivos.

Participe da enquete oficial do PLP 104/2022, projeto que propõe limite legal para os juros no Brasil, e manifeste seu apoio.