Vídeo sobre ‘suposta exploração de terras raras brasileiras pela China’ repercute nas redes e ACD revela resposta enviada pelo governo federal
Tempos atrás, o empresário e influenciador do setor financeiro e de empreendedorismo, Flávio Augusto da Silva, utilizou seu canal no Instagram para denunciar suposta venda de áreas para exploração de terras raras brasileiras, para a China, por meio de uma mineradora com documentação e endereço nacionais, mas que, segundo ele, funcionaria apenas como uma espécie de ‘laranja’ para possibilitar a exploração estrangeira, em um negócio que envolve valores bilionários. O vídeo (veja abaixo) foi publicado originalmente em abril, entretanto, voltou a repercutir nas redes sociais.
Confira o que ele disse:
“Quem ficou bilionário com a mineradora de terras raras avaliada em US$ 2,8 bi em Goiás?
A resposta vai te surpreender. Terras raras são o petróleo do século XXI. Ímãs de carros elétricos, turbinas eólicas, drones, mísseis, radares — tudo depende desses minerais. E quem controla hoje é a China.A Serra Verde nasceu para mudar isso. Para ser a alternativa ocidental ao monopólio chinês.
Primeira surpresa: sabe quem comprou toda a produção até 2027? A China. A empresa criada para quebrar o monopólio abasteceu a China por 4 anos.Segunda surpresa: quando você abre o CNPJ, os sócios são duas LLCs americanas. Por trás delas, fundos dos EUA e do Reino Unido.
A mineradora é brasileira só no endereço.
Não sou contra investimento externo — é essencial para o desenvolvimento do Brasil. A questão é outra, concluiu, prometendo revelar em um segundo vídeo, respostas para perguntas, sobre quem comprou, quanto pagou, como pagou e ainda sobre a estratégia do país para o setor.
Ciente dos fatos e também com base em outras reportagens sobre negociações do mesmo teo e envolvendo outros países, como a Índia e a Coreia do Sul, a Auditoria Cidadã da Dívida (ACD) já havia se mobilizado e enviado um ‘Requerimento de Informações’, junto ao governo federal e às autoridades do setor, obtendo respostas.
Confira:
GOVERNO FEDERAL RESPONDE A REQUERIMENTO DE INFORMAÇÕES DA ACD SOBRE TERRAS RARAS
Governo Federal pode impedir a desnacionalização das jazidas
Diante de notícia publicada pelo jornal Correio Braziliense (https://www.correiobraziliense.com.br/economia/2026/03/7365197-brasil-acelera-na-corrida-global-dos-minerais-criticos.html ), de que o governo Lula teria firmado acordos internacionais com a India e Coreia do Sul sobre as chamadas “terras raras” ou “minerais críticos”, a Auditoria Cidadã da Dívida (ACD), com base no disposto na Lei de Acesso à Informação (Lei 12.527/2011), solicitou informações sobre o tema, como a cópia dos acordos.
O Ministerio de Relações Exteriores enviou o Memorando de Entendimento entre o Brasil e a Índia, disponível em https://www.gov.br/mme/pt-br/atos-internacionais/atos-internacionais-2025/india/2026-memorando-de-entendimento-brasil-india-sobre-cooperacao-no-campo-de-elementos-e-terras-raras-e-minerais-criticos-portugues.pdf , e informando que não houve acordo com a Coreia sobre o tema.
Analisando-se o Memorando firmado com a India, apenas se verifica, em termos gerais, a intenção de “colaboração entre as Partícipes no setor de minerais, explorando caminhos para transferência de tecnologia, exploração, pesquisa e desenvolvimento e mineração de ETR (elementos de terras raras) e minerais críticos…” Ou seja, o Memorando em si sugere uma relação de cooperação e não de submissão à Índia nessa questão.
Porém, a atuação governamental no tema tem sido verificada com muito maior relevância na permissão à desnacionalização de empresas já existentes, que exploram tais minerais, conforme o tema tratado no vídeo disponível em: https://www.instagram.com/reel/DXh0XdMjrp9/?igsh=b2VuNTVzc2p4YWJx ) . O vídeo fala sobre a Mineração Serra Verde, que já era desnacionalizada, e foi vendida para empresa USA Rare Earth por US$ 2,8 bilhões.
Segundo o Portal G1, “Segundo a empresa, o material exportado é rico em elementos estratégicos como neodímio, praseodímio, disprósio e térbio, fundamentais para a produção de ímãs permanentes usados em veículos elétricos, turbinas eólicas e outras tecnologias de energia limpa.”
Cabe ressaltarmos que, conforme o artigo 176 da Constituição, as jazidas pertencem à União, sendo que o Código Nacional de Mineração (Decreto Lei 227/1967) prevê que as mineradoras somente podem explorar as jazidas mediante uma autorização de lavra, que pode ser recusada “se a lavra for considerada prejudicial ao bem público ou comprometer interesses que superem a utilidade da exploração industrial, a juízo do Governo” (artigo 42). Ou seja, cabe ao Governo Federal exigir que estes minerais sejam tratados de acordo com o interesse do país, e não de exportadores que rifam a riqueza nacional.
Clique aqui e veja vídeo do empresário citado na matéria:
