O dreno improdutivo financeiro que trava a nação

Compartilhe:

“A revista The Economist, de grande peso internacional, escreve que ‘países ricos devem temer a ‘brasileirização da economia’, A ameaça é a taxa de juros surrealista sobre a dívida pública, de 14,5% ao ano, quando, no Japão, por exemplo, a mesma taxa é de 0,5%. Com uma inflação baixa no Brasil, de menos de 5%, comprar títulos da dívida pública tornou-se um grande negócio para especuladores financeiros. Para as pessoas dimensionarem o absurdo (…) um bilionário que aplique 1 bilhão na taxa Selic vai receber 145 milhões no ano (…) um enriquecmento de 400 mil reais ao dia, com a mão no bolso”.

Este é o primeiro parágrafo do artigo de Ladislau Dowbor, publicado na mais recente edição da revista Achados de Auditoria (Ceape Sindicato), e que, de forma objetiva e didática, esclarece o cenário ‘que beira o absurdo’ vivido pelo Brasil, em função da política de juros adotada pelo Banco Central (BC).

Um sistema, como aponta Dowbor no próprio título, que funciona como ‘um dreno improdutivo financeiro que trava a nação’

“Esse dinheiro é pago pelo governo, usando nossos impostos, que, em vez de financiarem políticas sociais e infraestruturais, são desviados para grupos financeiros donos da dívida pública”, diz o autor.

O economista brasileiro – professor titular da PUC-SP e consultor de agências das Nações Unidas – prossegue, ressaltando que 82% da Dívida Pública do Brasil resulta de investimentos que deveriam ter sido direcionados pelo governo federal para setores como saúde e educação, entre outros, mas que são absorvidos pelo pagamentos dos juros desta mesma dívida pública, desde 1995:

“Desde quando foi instituída, pagando na época 24,5% ao ano, a dívida aumenta por meio de juros sobre juros, e o bilionário que utilizamos no exemplo, vendo quando pode ganhar sem produzir nada e sem risco, reaplica seus ganhos em mais títulos”, esclarece, indignado.

Em seu texto, Ladislau faz mais comparações entre as políticas de juros do Brasil e a de outros países, demonstra como, por exemplo, a Selic ‘desvia’ 1 trilhão de reais, ou quatro vezes o orçamento da saúde pública para o pagamento dos juros da dívida, explica por que os empresários tem cada vez menos interesse em investir em novos meios de produção ou na geração de empregos e lamenta o quanto as famílias acabaram entrando em uma espiral de endividamento.

“É a agiotagem escancarada: o que era crime virou legal, não por sem legitimo, mas por ausência de lei”.

Recomendamos a leitura completa, clicando aqui (páginas 24 a 26):

https://online.pubhtml5.com/jotit/sela/

A Auditoria Cidadã da Dívida (ACD) defende a suspensão do pagamento de juros e o cumprimento da auditoria oficial da dívida pública, prevista na Constituição. Como demonstramos em nosso trabalho, assim como o artigo acima, grande parte do orçamento do Estado é drenada para bancos sob a forma de juros, prejudicando investimentos sociais e agravando o déficit fiscal, porém sem amortizar o valor principal.

Participe você também, clicando aqui e conhecendo nossa Campanha Pelo Limite dos Juros no Brasil: