Aumenta a pressão do mercado financeiro por cortes nos investimentos sociais para o próximo ano

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Publicada nos últimos dias, a noticia do Jornal O Globo reclama que o governo federal estaria projetando um total de “despesas primárias” (ou seja, os gastos sociais, sem contar os gastos com a dívida) de 19,55% do PIB neste ano, como se fosse algo muito alto e, por isso, ruim. Porém, na realidade, tal percentual ainda está abaixo do observado em 2016, e deveria ser bem maior, mas é visto como exagerado pela grande imprensa, que infelizmente segue os interesses dos rentistas da dívida pública, que ganharam 17% do PIB ano passado, em juros e amortizações da “dívida pública”, recursos estes que poderiam e deveriam estar sendo destinados para investimentos sociais, como países desenvolvidos fazem.

Ainda assim, a reportagem critica diversos tipos de gastos sociais, como os subsídios para os combustíveis, medida adotada pelo governo para enfrentar a forte alta do preço do petróleo, diante dos conflitos internacionais, ou ao necessário reajuste do Bolsa Família, concedido neste mês de setembro também pelo Executivo Federal, e, como já era de se esperar, à isenção do Imposto de Renda para quem recebe até R$ 5 mil, aprovada pelo Congresso Nacional, em acordo com o Palácio do Planalto e vigente desde janeiro deste ano.

Por trás da análise, especialistas alinhados ao discurso do mercado financeiro. Um discurso repetido como um verdadeiro mantra, e que foca exclusivamente em números, orçamentos, déficits, etc, ignorando por completo a questão humana e as graves ilegitimidades da dívida pública federal, tais como as inexplicáveis e astronômicas taxas de juros.

“Nível de gastos públicos vai demandar revisão de programas no próximo governo, alertam especialistas. Despesas este ano devem atingir 19,55% do PIB, o maior patamar desde a pandemia”, diz o título da matéria.

Que prossegue com a mais recente “atualização de projeção do Governo Lula para o Orçamento de 2026” e que serviu como base para a “a equipe econômica manter uma trava nos gastos, piorar a projeção do resultado fiscal e estimar que as despesas vão fechar este ano no maior patamar sobre o Produto Interno Bruto (PIB) desde 2020, no auge da pandemia de Covid-19.”

Na sequência, a publicação traz os respectivos números e valores sobre variações de petróleo, subsídios, redução de arrecadação por causa da isenção no IR e etc.

https://oglobo.globo.com/economia/noticia/2026/09/25/nivel-de-gastos-publicos-vai-demandar-revisao-de-programas-no-proximo-governo-alertam-especialistas.ghtml

A análise demonstra, claramente, que qualquer governo que assumir estará sujeito à intensa pressão de analistas e consultorias para reduzir gastos destinados à população e aos direitos sociais.

Mas, quando o assunto são os gastos com juros e amortizações da dívida pública, que consomem uma parcela expressiva do orçamento, o silêncio dos analistas segue, como sempre “ensurdecedor”.

A Auditoria Cidadã da Dívida (ACD) alerta que bandeiras como a realização da auditoria da Dívida Pública e a defesa intransigente de investimentos em direitos sociais jamais estarão na agenda do Sistema Financeiro. Ou seja, para “eles”, o importante é, constantemente, colocar gastos em benefício da sociedade sob escrutínio, mantendo os demais gastos fora do debate público. E assim, o já sofrido povo brasileiro, apesar de viver em uma das nações mais ricas do planeta, segue eternamente, aprisionado ao tal do Arcabouço Fiscal.

Por isso, a ACD volta a ressaltar a importância da Campanha É Hora de Virar o Jogo, com o objetivo de mostrar a necessidade de mobilizar a sociedade para modificar o modelo econômico atual, o qual tem produzido escassez, miséria e atraso, o que não combina com a abundância e a riqueza existente em nosso país.

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