Após 20 dias, greve dos bancários chega ao fim, mas questões mais graves ficam fora do acordo
Iniciada no último dia 19 de setembro, a greve nacional dos bancários foi encerrada em todo o Brasil.
O fim do movimento que inclui paralisações em bancos públicos e privados, entretanto, só ocorreu após o Tribunal Superior do Trabalho (TST) julgar, por unanimidade, o dissídio coletivo.
De modo geral, a greve se estendeu principalmente nos bancos públicos federais, por conta de impasses nos acordos coletivos específicos. Os trabalhadores do Banco do Brasil (BB) e do Banco do Nordeste, voltaram ainda na primeira metade do período de negociações, ao aceitarem o Acordo Coletivo de Trabalho (ACT), por meio das assembleias sindicais.
A decisão do TST, no dissídio coletivo de natureza econômica, encerrou a paralisação do funcionários da Caixa Econômica Federal (CEF), principal foco e que resistia devido a um forte impasse sobre o plano de saúde da categoria, o Saúde Caixa.
O que ficou definido?
Justiça do Trabalho estipulou um reajuste salarial de 4,6%, ou a correção integral da inflação medida pelo INPC, mais 0,6% de aumento real. A mesma taxa foi aplicada aos benefícios, como vale-refeição e auxílio-creche.
Quanto ao Saúde Caixa, o reajuste também segue a regra dos 4,6%, mas as questões sem acordo, como a coparticipação, tetos de contribuição e mensalidades de dependentes, ainda continuarão em discussão nas mesas de diálogo específicas, entre os sindicatos e o banco.
Quanto aos dias parados, o TST considerou que a greve não foi abusiva e que as horas não trabalhadas não serão descontadas imediatamente, devendo ser compensadas pelos funcionários em até 180 dias.
E como já divulgado anteriormente pela Auditoria Cidadã da Dívida (ACD), a categoria segue insatisfeita e muito preocupada, em virtude da forte precarização do setor nas últimas décadas. No ano passado, a CEF distribuiu ao Governo Federal lucros de R$ 4,18 bilhões, e o BB R$ 3,4 bilhões. Porém, estes vultosos valores somente podem ser destinados para o pagamento da chamada “dívida pública”, conforme manda a Lei 9.530/1997.
Todos os detalhes do “acordo”, incluindo pontos positivos e negativos, podem ser conferidos nesta matéria publicada no site do Sindicato dos Bancários do DF: https://bancariosdf.com.br/defesa-da-contraf-cut-reduz-perdas-no-dissidio-mas-caixa-economiza-bilhoes/
Houve redução drástica do número de agências e de colaboradores, na mesma proporção em que proliferaram os chamados “correspondentes bancários”. Com isso, veio a redução salarial, a perda de direitos, a inadequação do ambiente de trabalho e a pressão por metas, entre outros. Como resultado, o adoecimento físico e mental, em massa, dos trabalhadores. Questões gravíssimas que foram completamente alijadas do debate e das negociações pelos empregadores.
A (ACD), que tem parceria com vários sindicatos da categoria em todo o país, une forças na luta destes trabalhadores que acabam como vítimas diretas das imposições desumanas do sistema bancário nacional e internacional, cujo foco é o lucro permanente às custas da exploração e do desrespeito à figura humana.
Também visando a solução deste grave problema, lançamos a Campanha É Hora de Virar o Jogo. Saiba mais, clicando abaixo:
