Grande imprensa faz malabarismo para culpar gastos sociais pelo crescimento da dívida
No dia 30 de setembro, o Portal G1 noticiou a alta da dívida pública, reconhecendo corretamente que isto se deve, principalmente, aos gastos com juros.
Na publicação, o site aponta que “A alta na dívida no governo Lula está relacionada, principalmente, com o aumento de gastos públicos, que gera mais despesas com juros — um ciclo vicioso que se retroalimenta. (…) Analistas pedem um corte robusto de gastos para conter a dívida e proporcionar queda do juro básico.”
Ou seja, o G1 diz que os juros altos seriam causados por um suposto exagero de gastos sociais, entretanto, sem explicar como se daria essa relação de causalidade. Em outras notícias sobre o tema, a grande imprensa costuma dizer que, com a dívida pública em crescimento, os rentistas começariam a temer que ela não seria paga e, assim, cobram juros mais altos para compensar tal “risco”.
Porém, a taxa de juros deveria ser definida pelo governo, e não pelos rentistas.
Apesar do costumeiro argumento neoliberal de que “se o governo não oferecer a taxa de juros pedida pelos rentistas, eles não compram novos títulos da dívida pública, e assim o governo não teria recursos para pagar os juros e amortizações que estão vencendo ”, tal afirmação parte do princípio de que a dívida seria inquestionável (não poderia ser auditada com participação da sociedade), e que o país deveria continuar destinando a riqueza (produzida pelos trabalhadores) para enriquecer ainda mais os rentistas super ricos, seja com recursos de nova dívida, seja com qualquer outro tipo de receita, como tributos, lucros das estatais, ou até mesmo a emissão de moeda.
Saiba mais sobre o trabalho Auditoria Cidadã da Dívida (ACD), na Campanha É Hora de Vira o Jogo:
