Selic mantida. Banco Central sabota o resultado das urnas
Fonte: Monitor Mercantil – Com informações da Agência Brasil (foto: Lula Marques)
A análise publicada pelo portal Monitor Mercantil, logo após o anúncio da Taxa Selic, na noite desta quarta (04), retrata o sentimento da equipe de analistas e colaboradores da Auditoria Cidadã da Dívida (ACD), tendo à frente a sua coordenadora nacional, Maria Lucia Fattorelli.
A expectativa, com base nas falas e discursos de campanha e no “caminho” apontado pelas lideranças do governo federal, do reeleito presidente Lula, indicavam que, enfim, a tendência dos juros no Brasil seria a de queda, ainda que gradual e responsável.
Mesmo considerando que esta foi a primeira reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), pós eleições, e cientes de que o “novo” governo se inicia somente a partir de 5 de janeiro de 2027, é impossível esconder a decepção. Não há sinal de que atual política de juros absurdos, extorsivos, irreais e injustificáveis irá mudar!
Confira a íntegra da matéria:
Por unanimidade, o Comitê de Política Monetária (Copom) manteve a Taxa Selic, juros básicos da economia, em 13,75% ao ano. A decisão surpreendeu o mercado financeiro, que esperava um corte de 0,25 ponto percentual.
A Força Sindical criticou a manutenção da Selic.
“Ao manter a Taxa Básica de juros em 13,75%, uma das maiores do mundo, os membros do Banco Central sabotam a economia brasileira e incentivam uma verdadeira extorsão financeira no País. É uma medida irracional, nefasta para o setor produtivo e desastrosa para os trabalhadores(as). E mais: haverá drástica redução de investimentos no ano que vem, devido aos juros em patamares estratosféricos.
De acordo com a entidade, “Juros altos, vale destacar, estrangulam o crédito, a produção e a geração de empregos de qualidade. Essa decisão, infelizmente, compromete o crescimento econômico, dificultando o consumo e deixando, praticamente impossível, o crédito para ao menos favorecidos economicamente.”
Para a Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan) a decisão do Copom também foi equivocada. A manutenção da taxa nesse patamar posterga a descompressão necessária à atividade econômica, cujos indicadores recentes já evidenciam o baixo dinamismo industrial e a retração na confiança empresarial.
“Com a estabilidade da Selic em nível fortemente contracionista, os encargos financeiros seguem elevados, inibindo tanto as decisões de investimento quanto a capacidade competitiva das empresas. Essa condição afeta, sobretudo, a indústria de transformação, que acumula queda de 0,1% no ano”, frisou.
Segundo Valdir Piran Jr., CEO do Intra:
“Para dezembro, a manutenção passa a ser o cenário mais provável, salvo uma melhora mais clara das expectativas e do câmbio. Para o fim de 2027, vejo a Selic próxima de 12,5% e o IPCA ao redor de 4,8%. Ainda existe espaço para redução dos juros, mas isso dependerá principalmente da inflação e do fiscal”.
A ACD não irá recuar. Pelo contrário, a mobilização será ainda maior e já estamos preparando uma carta que será enviada ao presidente Lula, pela imediata redução dos juros. O Brasil não pode ficar refém do Sistema da Dívida, um mecanismo que serve apenas aos banqueiros e rentistas, enquanto a sociedade sofre com o endividamento e a falta de investimentos em politicas públicas e serviços sociais. Basta!
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