Aposentadoria começa a ficar mais distante em 2026, como havia alertado a ACD em 2019

Compartilhe:

A reportagem “Aposentadoria para o trabalhador fica mais distante em 2026”, publicada pelo Correio Braziliense nesta semana (acesse aqui) , ajuda a ilustrar um processo que vem se desenrolando silenciosamente desde a aprovação da Reforma da Previdência, em 2019, no governo Jair Bolsonaro. O que hoje aparece como “dificuldade inesperada” é, na verdade, o resultado direto de regras de transição pensadas justamente para produzir impacto ao longo do tempo.

Desde a tramitação da reforma, a Auditoria Cidadã da Dívida (ACD) alertava que o endurecimento das exigências não se daria de forma imediata, mas progressiva. As mudanças foram estruturadas para que seus efeitos mais duros fossem sentidos anos depois, quando boa parte da população já não associaria as perdas ao momento em que a reforma foi aprovada. Em 2026, esse desenho começa a ser plenamente percebido: trabalhadores descobrem que precisarão contribuir por mais anos, enfrentar critérios mais rígidos e aceitar benefícios menores do que aqueles prometidos ao longo da vida laboral.

Como destaca Maria Lucia Fattorelli, coordenadora nacional da ACD, esse cenário não é fruto de acaso nem de falhas de implementação. Ele decorre de uma escolha política clara. À época, o então ministro da Economia, Paulo Guedes, justificava a reforma afirmando que ela geraria uma “economia” de aproximadamente R$ 1 trilhão em dez anos. Essa economia tinha como destino a liberação de recursos para o chamado Sistema da Dívida, mecanismo que consome parcela expressiva do orçamento público por meio do pagamento de juros e amortizações da chamada dívida pública.

O que se observa agora é a materialização desse projeto. A redução de direitos previdenciários não significou equilíbrio social, mas aprofundamento da insegurança para quem depende da aposentadoria como proteção na velhice. Ao mesmo tempo, abre-se espaço para uma narrativa distorcida, em que setores que apoiaram a reforma tentam desvincular os efeitos atuais de suas causas originais, atribuindo as dificuldades a fatores conjunturais ou ao governo atual.

Diante disso, torna-se ainda mais relevante recuperar os alertas feitos no momento certo. Em 2019, a Auditoria Cidadã da Dívida publicou um folheto explicativo, acessível e fundamentado, demonstrando que a Previdência não era o problema central das contas públicas e que o verdadeiro objetivo da reforma era garantir mais recursos ao Sistema da Dívida. O que hoje se confirma nas reportagens já estava ali, documentado e anunciado.

👉 Acesse aqui o folheto da Auditoria Cidadã da Dívida e entenda por que as consequências sentidas agora foram previstas ainda em 2019. Informação é fundamental para enfrentar narrativas que tentam apagar a origem real dessas perdas.