Brasil é campeão! (de juros)
Com o fim da Copa do Mundo de futebol, neste domingo (19), enfim conhecemos o mais novo campeão: A Espanha!
Mas antes mesmo do resultado final, o doutor em economia e membro da carreira de Especialistas em Políticas Públicas e Gestão Governamental do governo federal, Paulo Kliass já apontava um outro ‘campeão mundial’…. E este país é o Brasil.
Então temos motivos para comemorar, certo???
Não…. Errado!!!!
Em sua coluna no Boletim Outras Palavras (de 14/07) Kliass inicia com o seguinte título: O Brasil é campeão! (de juros)
E inicia com uma pergunta, logo no primeiro parágrafo:
“Foi justamente antes da eliminação precoce que o país voltou ao topo entre os países com as maiores taxas de juros do planeta. No ranking, faz companhia à Rússia – país envolvido em guerra e sob sanções. Não há justificativa econômica. Possível Lula 4 enfrentará este escândalo?”
Na sequência, ele esclarece, apontando os dados que demonstram a alarmante política de juros aplicadas em nosso país:
“No dia 16 de junho, a página da consultoria Moneyou divulgou mais uma edição de sua tradicional classificação de 40 países com um ordenamento decrescente em relação às respectivas taxas reais de juros do planeta. E, infelizmente, o Brasil sempre vem ocupando uma posição de destaque no trágico ranking. Na versão atual, mais uma vez, o nosso País voltou ao topo do topo. Estamos exibindo uma taxa de 10,1% ao ano. Uma loucura! A metodologia de cálculo da taxa real de juros envolve a subtração da inflação do período da taxa oficial de juros – no nosso caso, a SELIC.”
Kliass inclui na publicação uma lista de países e suas respectivas taxas de juros, como termos de comparação:
“No ranqueamento mais recente estamos à frente do bloco com a Rússia, ambos com taxas superiores a 9%. Na sequência aparece um segundo pelotão com Turquia e México apresentando taxas em torno de 5%. Depois, surge outro grupo de 8 países com taxas entre 2% e 3%. Em seguida, podemos identificar outro agrupamento de 7 países com taxas em torno de 1%. Mais à frente, entre a 20ª e a 34ª posição, surgem nações com taxas entre 0% e 1%. Finalmente, 6 países oferecem taxas levemente negativas.
O economista faz ainda uma série de apontamentos, sobre como a aplicação de juros altos para ‘suposto controle inflacionário’ não condiz com a realidade e ainda sobre os impactos de tal política no pagamento da dívida pública, impedindo investimentos a favor dos mais pobres. Enfim, Kliass defende que o tema seja objeto de debate eleitoral.
A Auditoria Cidadã da Dívida (ACD) tem entre seus pilares a defesa do limite de juros no Brasil. A proposta, aliás, está na PLP 104/2022, em tramitação no Congresso Nacional.
“Para a ACD, a população precisa despertar para o quão cruel é a política de juros no país, a verdadeira culpada pelas altas taxas de inadimplência. Por isso, apresentamos a Campanha pelo Limite dos Juros, que visa limitar a taxa de juros a 12% ao ano (ou o dobro da taxa Selic, o que for menor)”. Clique aqui e saiba mais.
