Crise da Divida dos EUA

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O mundo vive uma forte ofensiva neoliberal, que utiliza o endividamento como principal instrumento de chantagem, para que governos de todo o mundo, do Sul e do Norte, cortem gastos sociais, privatizem as empresas estatais e retirem direitos duramente conquistados pelos trabalhadores. As denominadas “agências de classificação de risco” representam os interesses do setor financeiro global e são as porta-vozes desta ofensiva, sempre culpando um suposto excesso de gastos sociais como causa da explosão do endividamento. Quando, na realidade, os verdadeiros culpados são os próprios bancos, que foram salvos às custas do Estado que, para tanto, tomou grande quantidade de empréstimos.

Tais agências possuem um poder absurdo, tendo a prerrogativa de ameaçar qualquer governo, dizendo que se eles não cortarem gastos sociais, os emprestadores fugirão do país, causando crises financeiras e a suspensão dos novos empréstimos, necessários para o pagamento das dívidas anteriores. Esta chantagem, feita graças ao instrumento do endividamento, é executada por qualquer grupo político subserviente ao setor financeiro, tal como na recente decisão do Congresso dos EUA, que condicionou a elevação do endividamento (ou seja, a tomada de novos empréstimos para o pagamento das dívidas anteriores) a um pesado corte de gastos sociais e à não-tributatributação dos mais ricos.

Neste final de semana, governos de todo o mundo estão reunidos em caráter emergencial, para decidir o que fazer diante do anúncio da agência de classificação de risco “Standard & Poor’s”, de rebaixamento da classificação da dívida dos EUA. “Decidir o que fazer” significa, em bom português, definir quantos trilhões de dólares em gastos sociais serão cortados nos diversos países, e quantos trilhões de dólares serão liberados imediatamente para beneficiar os “mercados”.

Se nos anos 40 a 80, a existência de um bloco antagônico ao capitalismo no leste europeu fazia com que o capitalismo fizesse algumas concessões à classe trabalhadora (por meio do chamado “Estado de Bem-estar”), agora a ofensiva do capital é total. Como sempre, esta ofensiva neoliberal se utiliza do mecanismo do endividamento para impor medidas nefastas, sempre aplicadas nos países do Sul, e agora nos países do Norte, tais como a demissão sumária de servidores públicos, corte de aposentadorias, 13º salário, privatizações generalizadas e cortes de todo tipo de gastos sociais.

Nunca o endividamento foi tão largamente utilizado para dominar os povos de todo o Planeta, e nunca foi tão necessária uma alternativa a esta situação. Nunca foi tão necessário desmascarar este processo, demonstrando que os rentistas e suas “agências de risco”, que se colocam como arautos da “responsabilidade fiscal”, são, na realidade, os verdadeiros causadores desta crise. A auditoria da dívida é um meio de demonstrar isso, com provas documentais e dados oficiais.

Banco europeu e G7 fazem reuniões de emergência antes da abertura das bolsas
Estado de São Paulo, 07 de agosto de 2011 | 8h 38

Notícias diárias comentadas sobre a dívida – 05.08.2011

O Portal da Revista Caros Amigos traz artigo de Maria Lucia Fattorelli, coordenadora da Auditoria Cidadã da Dívida, que mostra as causas da crise da dívida dos EUA: o salvamento trilionário de bancos falidos. Este salvamento foi financiado, em grande medida, pelo endividamento público, ou seja, o povo paga a conta da crise gerada pela irresponsabilidade dos próprios bancos.

Além do mais, o governo tomou tais empréstimos dos próprios bancos que foram salvos, ou seja, estes últimos, de uma situação de falência, foram transformados em credores do Estado.

Esta idéia de fazer o setor público salvar os “mercados” já é vista por estes últimos como algo totalmente natural e desejável, o que além de mostrar a total falta de ética do setor financeiro, prova também a falácia dos argumentos neoliberais, de que os “mercados” deveriam ser deixados livres.

Neste sentido, o jornal Estado de São Paulo traz notícia com o título: “Investidores temem que Estado não consiga salvar economia”, citando que “investidores temem não poder contar com recursos públicos em quantidade suficiente para acalmar os mercados.”

Portanto, na realidade, a verdadeira função do Estado no neoliberalismo não é deixar a economia livre, mas sim, fazer os rentistas ganharem sempre, às custas do povo.

E não são somente os trabalhadores dos EUA que pagam esta conta. O povo brasileiro também, pois o governo brasileiro tem feito mais dívida interna – que paga os maiores juros do mundo – para comprar centenas de bilhões de dólares para compor as chamadas “Reservas Internacionais”. Estas são aplicadas principalmente em títulos do Tesouro dos EUA, que não rendem quase nada e ainda financiam esta política de salvamento de bancos falidos e também a máquina de guerra estadunidense. Outra notícia do Jornal Estado de São Paulo mostra que até mesmo o ex-presidente Lula reconheceu que “Título dos EUA rende merrequinha de juros”, e defendeu que nossas reservas sejam aplicadas em projetos de infra-estrutura na América Latina.

Sobre esta declaração de Lula, cabem dois comentários: em primeiro lugar, é interessante constatar que finalmente o ex-presidente Lula reconhece como válidas as críticas feitas há anos pela Auditoria Cidadã da Dívida. Em segundo lugar, cabe ressaltar que muitos dos atuais projetos de infra-estrutura atendem a interesses de grandes empresas, e não das populações latino-americanas.

A crise da dívida dos EUA
Por Maria Lúcia Fattorelli
Caros Amigos

Investidores temem que Estado não consiga salvar economia
4 de agosto de 2011 | 19h42
O Estado de São Paulo – Sílvio Guedes Crespo