Fintechs, crime organizado e desmonte da fiscalização
Em entrevista concedida à TV Democracia, a coordenadora nacional da Auditoria Cidadã da Dívida, Maria Lucia Fattorelli, alertou para os riscos associados à rápida expansão das fintechs no Brasil.
Segundo informações da Polícia Federal, apenas 4 fintechs movimentaram cerca de R$ 26 bilhões no Brasil, em menos de quatro anos, em um cenário marcado pela ausência de regulação e fiscalização efetiva por parte do Banco Central, permitindo a utilização dessas estruturas pelo crime organizado.
Fattorelli também chamou a atenção para os impactos da política de austeridade fiscal imposta pelo chamado Arcabouço Fiscal, levando ao sucateamento de órgãos fundamentais de fiscalização e controle do Estado, como a Receita Federal, o IBAMA e o próprio Banco Central.
Ela ressaltou, entretanto, que, apesar do processo de sucateamento e da redução de estrutura e pessoal, esses órgãos ainda possuem condições técnicas de exercer adequadamente as suas funções.
No caso do Banco Central, segundo a coordenadora da ACD, a ausência de fiscalização efetiva decorreria também da falta de interesse em enfrentar determinadas operações do sistema financeiro.
Enquanto serviços públicos e estruturas de controle são enfraquecidos, cada vez mais, recursos do orçamento federal são destinados ao pagamento de amortizações e juros da dívida pública.
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