Recorde de arrecadação expõe prioridade aos juros, não aos investimentos sociais

Compartilhe:

A Receita Federal divulgou que a arrecadação federal alcançou R$ 2,89 trilhões em 2025, o maior valor da série histórica, com crescimento real de 3,75% em relação a 2024, impulsionado principalmente pelo desempenho da economia, aumento de impostos e receitas extraordinárias (Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br/economia/noticia/2026-01/arrecadacao-federal-bate-recorde-de-r-289-trilhoes-em-2025) .  O dado foi apresentado como sinal de robustez fiscal e de retomada da atividade econômica, mesmo em um cenário de desaceleração de alguns setores, como a indústria. Entretanto, se analisarmos a fundo, não há tanto o que comemorar.

O recorde de arrecadação contrasta com a ausência de avanços proporcionais em investimentos sociais e políticas públicas. O arcabouço fiscal vigente impõe limites rígidos ao gasto, fazendo com que o aumento da receita não se converta automaticamente em melhorias para a população, mas seja absorvido pela lógica de ajuste permanente das contas públicas.

Para Maria Lucia Fattorelli, coordenadora nacional da ACD, “Esse recorde não significou mais investimentos sociais por causa das limitações impostas pelo arcabouço fiscal. Todo esse excesso se direcionou para o pagamento dos juros abusivos” (Leia o novo artigo da coordenadora do ACD no Extra Classe e saiba mais). A afirmação evidencia a contradição central do modelo atual: o Estado arrecada mais, mas segue priorizando a remuneração do sistema financeiro, enquanto áreas sociais continuam submetidas à escassez de recursos.