Rentistas da dívida pública usam guerra como mais uma desculpa para manter juros altos

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O Jornal Valor Econômico trouxe uma entrevista com o economista chefe do banco Bradesco dizendo que a guerra no Oriente Médio deve aumentar o preço do petróleo e assim aumentar a inflação, justificando assim que as taxas de juros demorem ainda mais para cair.

Atualmente, a taxa de juros básica (“Selic”) é de 15% ao ano, fazendo com que o Brasil tenha a maior taxa de juros real (acima da inflação) do mundo, de 10,11%, mais alta que na Rússia e Turquia, por exemplo. Enquanto isso, nos Estados Unidos tal taxa é de 1,32%, na Zona do Euro 0,44% e no Japão – 0,74% (NEGATIVOS).  Desta forma, no Brasil as despesas com juros da dívida pública disparam, e os investimentos em geral são desencorajados, reduzindo o crescimento econômico e a geração de empregos de qualidade.

Pela ideia dos rentistas, a inflação seria causada por um excesso de demanda por produtos, o que deveria ser combatido pela alta de juros, deprimindo a tomada de financiamentos, reduzindo assim o consumo. Porém, a inflação de combustíveis prevista pelo banco Bradesco não guarda relação com um excesso de demanda, mas com problemas de oferta devido à Guerra. Além do mais, o Brasil produz a maior parte do combustível que consome, não havendo necessidade de aumentar significativamente o preço dos combustíveis, a não ser que a Petrobras aceite a pressão de seus acionistas privados em detrimento da vontade do povo, verdadeiro dono da Petrobras por meio da maior parte das ações com direito a voto, pertencentes ao governo.