Representantes da Unidade Popular assumem a Auditoria da Dívida como bandeira de campanha
Nesta quarta-feira, 26 de agosto de 2026, a coordenadora nacional da Auditoria Cidadã da Dívida (ACD), Maria Lucia Fattorelli, recebeu em Brasília representantes da Unidade Popular (UP) para um diálogo sobre o Sistema da Dívida e seus impactos sobre a economia e os direitos sociais no Brasil.
Participaram do encontro o presidente da UP-DF, Alexandre Ferreira, a candidata à Vice-Presidência da República, Raquel Brício, a candidata ao Governo do Distrito Federal, Samara Mineiro, e o candidato ao Senado, Guilherme Amorim.
Durante a reunião, Fattorelli destacou sua satisfação ao ver que a Unidade Popular tem incorporado em seus debates as pautas defendidas pela ACD. Ela esclareceu que a dívida pública, em tese, poderia ser um importante instrumento de investimento em nosso desenvolvimento socioeconômico e ambiental, como fazem vários países. Mas não é isso que acontece no Brasil, criticou.
“Aqui temos um Sistema da Dívida, que absorve anualmente a maior parcela dos recursos orçamentários, direcionados ao pagamento de juros abusivos e amortizações de uma chamada dívida que sequer tem contrapartida em investimentos no país: é um esquema pagador dos juros mais elevados do mundo que amarra o Brasil”.
O próprio Tribunal de Contas da União (TCU), em audiência realizada no Senado Federal a partir de provocação do então senador Álvaro Dias, reconheceu que a dívida pública não tem servido para financiar investimentos no país. Fattorelli também fez um resgate histórico do atual ciclo de endividamento brasileiro, que teve início na década de 60, com a ditadura militar.
e citou o livro Confissões de um Assassino Econômico, de John Perkins, para ilustrar mecanismos internacionais de endividamento que submetem países em desenvolvimento a ciclos permanentes de dependência financeira.
Ela ressaltou a importância da abordagem do tema pela UP, pois acredita que s transformação do cenário de escassez imposto pelo Sistema da Dívida no Brasil irá ocorrer a partir da conscientização e da mobilização popular, e não da atuação de “salvadores da pátria”.
Raquel Brício afirmou que o tema da dívida pública tem despertado crescente interesse e indignação popular, especialmente diante da precarização dos serviços públicos. Segundo ela, a população começa a perceber a relação entre o privilégio na destinação de recursos públicos para o setor financeiro e a insuficiência de investimentos em áreas essenciais, como saúde e educação. A candidata também defendeu a mobilização popular como instrumento fundamental para pressionar os poderes públicos em favor dos direitos sociais.
Já Samara Mineiro abordou a realidade do Distrito Federal, defendendo a ampliação dos investimentos em saúde pública. Em sua avaliação, o principal problema enfrentado atualmente pela população do DF está relacionado à crise do sistema de saúde. Durante o debate, Fattorelli destacou os impactos negativos da privatização da saúde no Distrito Federal, enquanto Samara mencionou casos recentes de mortes decorrentes da insuficiência do atendimento médico.
Outro tema tratado foi o mecanismo conhecido pela ACD como “Bolsa-Banqueiro”, referente às operações utilizadas pelo Banco Central para remunerar a sobra de caixa dos bancos. Fattorelli argumentou que essa política gera elevados custos para os cofres públicos e contribui para a manutenção das altas taxas de juros, restringindo o crédito e prejudicando a atividade econômica e acirrando a desindustrialização.
Guilherme , que já realizou panfletagem de folhetos produzidos pela ACD, reafirmou seu compromisso com a necessidade de realização da auditoria da dívida.
Ao final da reunião, Maria Lucia agradeceu a visita e reafirmou que a Auditoria Cidadã da Dívida permanece à disposição de todos os partidos políticos interessados em aprofundar o debate sobre o Sistema da Dívida. Ela destacou o trabalho técnico recentemente realizado para subsidiar proposta apresentada pelo deputado federal Rodrigo Rollemberg sobre o auxílio-alimentação para aposentados e pensionistas e lembrou que a entidade encaminhou a todos os partidos políticos sua Carta Aberta para as Eleições de 2026.
Clique aqui para conhecer o conteúdo da Carta Aberta para as Eleições de 2026., enviar ao seu candidato e verificar quem já respondeu:
