Retrospectiva 2025: Reforma da Previdência e Capitalização: especialistas alertam sobre riscos em live da ACD
Na noite de 8 de setembro, a Auditoria Cidadã da Dívida (ACD) reuniu especialistas para debater “O Sistema da Dívida e a reiterada ameaça à Previdência Social”, em mais uma atividade alusiva aos seus 25 anos. O encontro virtual destacou como as reformas da Previdência, a precarização do trabalho e os fundos de capitalização integram uma engrenagem que prioriza o pagamento de juros em detrimento dos direitos sociais.
Na abertura, o economista José Menezes Gomes afirmou que o chamado déficit da Previdência é uma construção ideológica utilizada para impulsionar a privatização e beneficiar o mercado financeiro. Para ele, a narrativa da insustentabilidade da Previdência pública empurra trabalhadores para fundos de pensão que não oferecem garantias.
A professora Juliana Teixeira reforçou essa análise ao mostrar que o desmonte da CLT e a uberização do trabalho reduzem as contribuições sociais e fragilizam a Previdência, abrindo espaço para a capitalização. Segundo ela, a retirada de direitos trabalhistas desloca recursos para um sistema que favorece o capital.
A assistente social Viviane Perez apresentou um quadro preocupante do INSS, marcado por sobrecarga de servidores e dificuldades crescentes de acesso para a população, apontando o caráter regressivo das contrarreformas. O professor José Augusto Lyra criticou os mecanismos que retiram receitas da seguridade social e classificou como incoerente alegar déficit diante desse desvio de recursos.
Ao moderar o debate, Felipe Pena destacou a disputa de narrativas em torno da Previdência, lembrando que a desvalorização do trabalho formal reflete uma construção ideológica. No encerramento, Maria Lucia Fattorelli afirmou que a narrativa do déficit serve para justificar cortes de direitos e liberar recursos ao pagamento de juros, reforçando que defender a Previdência é defender a vida e a dignidade da população.
