ONU aponta que 23% da receita fiscal do Brasil é usada para pagar juros

Compartilhe:

Coluna do jornalista Assis Moreira, no jornal Valor Econômico, destaca a divulgação do relatório anual sobre ‘Situação e perspectivas da economia mundial’’, divulgado nesta quarta-feira, pela Organização das Nações Unidas (ONU). O relatório aponta que no Brasil o pagamento de juros sobre a dívida do governo federal representa cerca de 23% das receitas fiscais, em relação a 2022, usando estimativas do FMI. (Leia mais no Valor – http://glo.bo/3DhT1fk)

Lembrando que o percentual que geralmente aparece no famoso gráfico do orçamento (em forma de pizza) elaborado pela Auditoria Cidadã da Dívida nos últimos anos é bem maior, cerca de 40 a 50%, pois ele se refere à participação dos gastos com juros e amortizações no total do orçamento.

Os dados da relatório projetam que a economia global crescerá apenas 1,9% em 2023 em comparação aos 3% de 2022. Para o Brasil, a expectativa é de um crescimento de apenas 0,9% (em 2022 foi de 2,9%), o que num ranking incluindo 141 países em desenvolvimento, nos coloca a frente apenas de países como o Afeganistão (-6,6%), Sri Lanka (-3,2%), Haiti (-1,7%) e Chile (-1,1%).

Dados publicados pelo Banco Central no fim de dezembro mostram que nos doze meses acumulados até novembro, os juros nominais pagos pelo governo somaram R$ 581,8 bilhões (5,95% do PIB), comparados a R$ 418 bilhões (4,74% do PIB) nos doze meses até novembro de 2021. Para efeito de comparação, os valores são maiores que os aprovados no Orçamento de 2023 para as pastas de Saúde (cerca de R$ 183 bilhões) e Educação (cerca de R$ 159 bilhões) juntos.

O pagamento de juros e amortizações da dívida pública é sem sombra de dúvida a maior fonte de retirada de recursos do nosso Orçamento. O pior é que todo esse dinheiro nem mesmo é usado para investimentos no país, (como já declarou o Tribunal de Contas da União), são apenas juros sobre juros de uma dívida jamais auditada e repleta de indícios de ilegalidade e ilegitimidade.

Enquanto isso, o Banco Central segue com sua política errônea de aumento da taxa básica de juros sob a falsa justificativa de controle da inflação. Cada aumento de 1% da taxa Selic gera um rombo de R$ 34,9 bilhões em juros anuais da dívida líquida do setor público. De 2021 até hoje, já foram quase R$ 400 bilhões a menos nos cofres públicos!

Precisamos mudar essa política econômica suicida, limitar os juros no Brasil e realizar de uma vez por todas a auditoria da dívida, com participação social!

Apoie essa ideia! Acesse www.auditoriacidada.org.br/limitedosjuros