GDF veta regras de transparência em empréstimo bilionário para cobrir rombo do BRB

Compartilhe:

Ainda repercute nos principais portais de notícia, a sanção, pelo Governo do Distrito Federal (GDF), da lei que autoriza a contratação de operação de crédito para aporte de capital no Banco de Brasília (BRB) e que tem como objetivo reforçar o capital do banco público, ou seja, cobrir o prejuízo bilionário ocasionado pelas operações com títulos e papéis podres do Banco Master.

Pelo acordo, o empréstimo será feito pelo FGC, o Fundo Garantidor de Crédito, e terá garantia de um sindicato de bancos. Como contragarantia, o Distrito Federal oferecerá recursos do Fundo de Participação dos Estados (FPE) e do Fundo de Participação dos Municípios (FPM).

Também foi ratificado o acordo com o Supremo Tribunal Federal (STF), permitindo ao DF comprometer, nesta operação, até 16% da Receita Corrente Líquida do DF.

Segundo o GDF, a operação de socorro é de R$ 6,6 bilhões!

A Auditoria Cidadã da Dívida (ACD) chama a atenção para três, de uma série de vetos incluídos pela governadora do DF, Celina Leão (PP):

  • Celina vetou: necessidade de o Executivo informar previamente à Câmara Legislativa as condições financeiras das operações de crédito, como juros, prazos e carência;
  • Celina vetou: regras sobre o aporte de capital, incluindo proteção a acionistas minoritários e restrições ao uso da empresa para fins fora de seu objeto;
  • Celina vetou: obrigatoriedade de envio de relatórios semestrais detalhados à CLDF sobre a execução das operações e ressarcimentos.

“Essa notícia escancara, mais uma vez, a ausência de transparência no processo de endividamento público, dessa vez no caso do DF, mas tem sido assim em todos os demais estados e na União, o que reforça ainda mais a necessidade de auditoria dessas dívidas, com participação popular!”, disse a coordenadora nacional da ACD, Maria Lucia Fattorelli.

E concluiu: “Qual a razão para impedir a transparência dessa operação bilionária?”

Vale lembrar que os servidores do DF têm sem manifestado firmemente contra o empréstimo, sob a alegação de que, com a dívida, vem também a obrigação de pagar os altíssimos juros, colocando em risco serviços essenciais para a população, como mostra esta matéria no site da ACD

E como a própria Auditoria Cidadã da Dívida (ACD) já havia alertado, os valores eram superiores (e muito!) ao R$ 1 bilhão que havia sido anunciado anteriormente, além de haver o risco da securitização da divida.