Juro alto leva à inadimplência das famílias

Compartilhe:

O Jornal Valor Econômico de hoje (26/2/2026) mostra que a alta taxa de juros foi uma das causas dos níveis recordes de inadimplência de operações de crédito bancário: “a piora também reflete uma mudança na qualidade da carteira, com aumento da participação de linhas de maior risco, como cheque especial e rotativo do cartão.”

O percentual de famílias endividadas foi de 79,5% em janeiro/2026, segundo a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).  A Agência Brasil, por sua vez, divulgou que“a parcela da renda gasta com as dívidas ocupa em média 29,7% do orçamento familiar”, e “uma em cada cinco famílias (19,5%) afirma ter mais da metade dos rendimentos comprometidos com dívidas”. A principal forma de endividamento é o cartão de crédito, que continua cobrando juros de mais de 400% ao ano.

Tais dados são alarmantes e mostram o efeito das altíssimas taxas de juros básicas definidas pelo Banco Central, aliadas à chamada “Bolsa Banqueiro”, ou seja, a possibilidade de os bancos aplicarem os recursos nas chamadas “operações compromissadas” ou “depósitos voluntários remunerados” do BC, que garantem aos bancos altos lucros sem risco. Desta forma, somente interessa aos bancos emprestar a pessoas e empresas cobrando taxas de juros muito altas.

Por isso é preciso aumentar a pressão popular à Campanha pelo Limite de Juros no Brasil, que visa a aprovação do Projeto de Lei Complementar  104/2022, proposto pela Auditoria Cidadã da Dívida, que propõe o limite de 12% de juros ao ano para qualquer operação de empréstimo ou financiamento, e o fim da “Bolsa Banqueiro”.

Conheça a Campanha pelo Limite dos Juros