O que está oculto nas políticas de austeridade fiscal?
“Financeirização, finanças públicas e desenvolvimento: O que está oculto nas políticas de austeridade fiscal?”, é o título da coluna do economista Miguel Bruno (Professor Titular da UERJ e Pesquisador Associado da Université de Picardie Jules Verne, na França), publicada na última edição da revista Achados de Auditoria (Ceape Sindicato), e cuja leitura a Auditoria Cidadã da Dívida (ACD), recomenda (páginas 12 a 16)
Bruno disserta sobre a ‘financeirização’, fenômeno macroeconômico e estrutural que surgiu há mais de três décadas:
“O conceito de financeirização surge nos anos 1990, quando países centrais e periféricos, de maneira açodada e acrítica, aderem aos mercados globais por meio de processos de liberalização comercial e financeira, promovidos por organismos internacionais, sob a liderança dos EUA, tais como o Banco Mundial, o BIS e o FMI”, apontando o início da ‘globalização’ que funcionaria, então, como uma espécie de senha de entrada para um mundo de vantagens econômicas e sociais.
O autor segue, ao longo do artigo, em um processo de ‘desconstrução’ desta ‘globalização’, disseminada com euforia pela grande mídia, sob o irrecusável ‘incentivo’ dos setores neoliberais, mas que veio, de fato, para atender aos interesses da ‘acumulação rentista-financeira internacional’.
Miguel Bruno demonstra como essa ‘nova política econômica’, tem impactado negativamente, por exemplo, o Brasil, comprometendo os sucessivos governos e seus orçamentos, levando à desindustrialização e à degradação da qualidade de vida da sociedade.
Neste ponto, o economista aponta o que chama de “captura do Estado e o déficit democrático”, quando os Estados Nacionais acabam atuando quase que exclusivamente com foco ‘na estabilidade financeira e da inflação, às custas dos investimentos produtivos e dos gastos sociais essenciais e imprescindíveis para a redução das desigualdades”.
Uma análise que vai ao encontro do que a Auditoria Cidadã da Dívida (ACD) tem esclarecido à população ao longo dos últimos 26 anos: que o Brasil se tornou um ‘prisioneiro do Sistema Financeiro’.
Por isso, apesar de estarmos entre as nações mais ricas do mundo, quase a metade do orçamento federal, anualmente, tem sido drenado para bancos e grandes rentistas, sob a forma de juros da chamada dívida pública. Valores bilionários que deveriam ser investidos em políticas públicas, mas que acabam nos ‘bolsos dos banqueiros e dos rentistas”.
A sociedade pode nos ajudar a mudar essa dura realidade, conhecendo e participando da Campanha Pelo Limite dos Juros no Brasil:
