Reportagem que revela esquema de dirigentes do BC com o Master serve de alerta para a PEC 65/2023

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“Mesada de até R$ 760 mil, contrato de fachada e viagens internacionais: como Vorcaro pagava os servidores do BC por informações”

https://oglobo.globo.com/economia/noticia/2026/09/13/mesada-de-ate-r-760-mil-contrato-de-fachada-e-viagens-internacionais-como-vorcaro-pagava-os-servidores-do-bc-por-informacoes.ghtml

O título acima é de reportagem do Jornal O Globo, com detalhes das “investigações da Polícia Federal (PF) em esquema de triangulação de recursos entre operadores de Vorcaro e os dirigentes, que davam orientações ao banqueiro.

Vorcaro é o já conhecido Daniel Vorcaro, banqueiro proprietário do “liquidado” Banco Master, preso preventivamente e figura central de uma série de escândalos que eclodiram nos últimos meses, envolvendo autoridades, bancos e instituições públicos e privados.

“De acordo com investigação da Polícia Federal (PF), os servidores do Banco Central (BC) Paulo Sérgio Neves de Souza e Belline Santana, ambos chefes do Departamento de Supervisão Bancária (Desup), receberam pelo menos R$ 6,8 milhões pela “assessoria informal” prestada ao banqueiro Daniel Vorcaro. A dupla orientava o dono do Master sobre os argumentos que deveria usar para defender os negócios do banco em reuniões com o então presidente do BC, Roberto Campos Neto, além de outros diretores da instituição”, diz a notícia.

O relatório teve o sigilo retirado no último dia 10 de setembro, por determinação do presidente do STF, ministro Edson Fachin, e as investigações ainda prosseguem.

A matéria aponta que a “A PF identificou um fluxo de pagamentos a Bellini, com início no final de 2023 (com o registro da primeira parcela em 26/10/2023). Em planilhas e mensagens, os valores identificados variam de R$ 500 mil a R$ 760 mil. Em outubro de 2024, a PF identificou uma nota atribuída a Leonardo Palhares, operador financeiro de Daniel Vorcaro, destinada a Bellini no valor de R$ 760 mil. Em janeiro de 2025, uma lista de pagamentos pendentes indica o nome de Belline associado a R$ 750 mil. Em setembro de 2025, há discriminação de uma despesa no valor de R$ 500 mil para Belline.

Segundo a reportagem, as “mesadas” eram pagamentos por informações privilegiadas de interesse direto do Banco Master e demais negócios financeiros de Vorcaro, incluindo orientações sobre “como se comportar, ou seja, o que dizer em reuniões com diretores e o presidente do BC”, para obter vantagens.

A matéria de O Globo traz, ainda, detalhes sobre como os pagamentos eram realizados – triangulações para tentar despistar a rota dos pagamentos, feitos não apenas em espécie, mas também por meio de fata distribuição de “presentes de luxo”, como viagens e estadias internacionais, reservas em restaurantes, entre outros.

Vale a pena ler a matéria completa, com mais detalhes e também o direito de resposta para todos os citados, respeitando o direito ao contraditório e à presunção de inocência (enquanto correm as investigações e possíveis processos judiciais).

Mas a Auditoria Cidadã da Dívida (ACD) faz questão de divulgar e analisar este fato, justamente para revelar a fragilidade das instituições diante das ações e relações humanas.

Mais do que a exposição dos dirigentes (funcionários com cargos de chefia) suspeitos do envolvimento no escandaloso esquema, expôs-se a autarquia Banco Central, responsável por definir as políticas monetárias do Brasil e principal órgão fiscalizador do Sistema Financeiro Nacional, com a missão de garantir que garantir que bancos, cooperativas de crédito e instituições de pagamento cumpram as leis e as normas estabelecidas.

E é o BC, por meio do seu Comitê de Política Monetária (Copom), quem define a taxa básica de juros da economia (Selic).

Decisões com impactos diretos na sociedade brasileira, pois servem como “norte” para o Estado definir a atuação nas mais diversas áreas – investimentos, geração de empregos, políticas públicas, etc.

Fica, então a pergunta: Como podemos confiar que tais decisões do BC são as melhores para a sociedade, se há, entre aqueles dirigentes que figuram em seus quadros (sem qualquer intenção de generalizar) suspeitos de “burlar as regras em benefício próprio e de terceiros”?

É importante ressaltar que o Banco Central do Brasil está entre os mais autônomos do mundo, entretanto, discute-se no Congresso Nacional a possível aprovação da PEC 65/2023, cujo objetivo, vejam só, é “conceder ainda mais autonomia” ao BC. Estamos falando de uma proposta que avançou de forma açodada, sem o devido debate público e com evidente lobby de setores ligados aos interesses dos banqueiros e do sistema financeiro.

A PEC 65/2023 vai reduzir a, já prejudicada, transparência, na medida em que amplia a tal autonomia do BC. Isso leva à possibilidade de “novos escândalos do Banco Master” – dentro e fora da instituição – porém, então, com chances reduzidas de que venham à tona e possam se investigadas.

Temos perguntado com frequência, nos últimos meses: A quem interessa a PEC 65/2023? Pois, nós já temos a resposta!

Você pode fazer a sua parte, nos ajudando a impedir a aprovação da PEC65/2023, como cossignatário de uma carta que enviamos aos senadores e senadoras… para que VOTEM NÃO!

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