TV Comunitária de Brasília repercute entrevista de Fattorelli sobre auditoria, limite de juros e fim da Bolsa-Banqueiro
O portal da TV Comunitária de Brasília repercutiu a entrevista que realizou com Maria Lucia Fattorelli , no programa Brasil Nação, na última quarta-feira (28).
No debate, com o tema O 4º Governo Lula e o Superávit Fiscal, que contou com a participação de Paulo Kliass, Beto Almeida e César Fonseca a coordenadora nacional da Auditoria Cidadã da Dívida (ACD) defendeu o limite dos juros em lei, o fim da Bolsa-banqueiro e a realização da auditoria da dívida pública brasileira como medida fundamental para transformar a política econômica do país, reduzir a influência do sistema financeiro sobre o orçamento público e garantir mais recursos para saúde, educação, infraestrutura, desenvolvimento industrial e programas sociais.
A matéria destacou outro ponto da entrevista, sobre o desafio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de conciliar as expectativas populares por melhores condições de vida com as pressões do mercado financeiro pela manutenção das metas fiscais e das políticas de contenção dos gastos públicos.
Leia a reportagem completa: https://tvcomunitariadf.com/2026/10/29/maria-lucia-fattorelli-defende-auditoria-da-divida-publica-e-mudanca-na-politica-economica-do-quarto-governo-lula/
Limite de juros e fim da Bolsa Banqueiro
A coordenadora da ACD, entretanto, falou sobre medidas urgentes que podem ser colocadas em prática com celeridade pelo governo.
Segundo Maria Lucia, o estabelecimento de um limite legal para as taxas de juros no Brasil poderia ser aprovada pelo Congresso Nacional, pois já há uma proposta. Trata-se do Projeto de Lei Complementar (PLP 104/2022) que limita a taxa de juros real ao máximo de 12% ao ano ou ao dobro da taxa Selic (o que for menor), além de acabar com a cobrança de juros sobre juros (anatocismo).
O PLP inclui, ainda, o fim da chamada Bolsa Bolsa Banqueiro, a remuneração que o Banco Central (BC) paga aos bancos comerciais pela sobra de caixa – o montante bilionário que sobra ao final do dia (dinheiro de correntistas), após a realização de empréstimos, saques e pagamentos. O montante é transferido ao BC sob a justificativa de “controlar o volume de moeda em circulação”, o que não tem sustentação científica alguma! Em troca, os bancos recebem títulos da dívida pública e são remunerados com juro diário sobre estes títulos (pela Taxa Selic), em um mecanismo que se repete, dia após dia, sem qualquer risco, e que custou mais de R$ 250 bilhões no ano passado; uma benesse aos bancos.
A coordenadora da ACD explica que, considerando que o Brasil pratica as taxas básicas de juros mais altas do planeta, a remuneração dos bancos é absurda e ultrapassa a casa de centenas de bilhões de reais, anualmente. O estoque de dinheiro usado para remunerar bancos deveria estar à disposição da sociedade, ou seja, para o crédito produtivo e a juros acessíveis.
Maria Lucia Fattorelli avisa que é preciso apoio do governo e uma mobilização permanente para a aprovação do PLP 104/2022, em função do fortíssimo lobby realizado pelos grandes bancos junto aos parlamentares.
Confira a íntegra da entrevista no Canal da ACD no YouTube:
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