Caso Master e a era dos parasitas, por Ladislau Dowbor
A Auditoria Cidadã da Dívida (ACD) convida à leitura da mais recente coluna de autoria do professor Ladislau Dowbor, economista brasileiro e professor titular da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, especialista na análise das facetas da economia brasileira e mundial e grande apoiador da ACD.
Em publicação no Boletim Outras Palavras, do último dia 29 de junho, Ladislau tratou sobre os escândalos financeiros recentes e como estes temas são tratados no espectro político, principalmente quando estamos em ano eleitoral, “revelando as relações corruptas do rentismo.
“O escândalo do Banco Master anima muito o debate. Em ano eleitoral, tentar colar a etiqueta de corrupto no opositor político faz parte do tiroteio, em particular porque, para as pessoas desinformadas, a etiqueta permite substituir a informação e o raciocínio. Ao longo da minha vida de economista, me dei conta de que quando gritam “pega ladrão” em geral vale a pena olhar para quem está gritando. No caso presente, é evidente que, quando um governo combate a corrupção, ela vem à tona, porque é revelada, enquanto o governo corrupto que a gerou e tolerou fez o tema sumir do mapa” , escreveu em sua introdução.
E prosseguiu, revelando a correlação entre escândalos passados (ainda que recentes e em andamento), como o das Lojas Americanas, e outro que ‘acaba de sair do forno’, envolvendo os papeis podres do Master:
“Um segundo ponto é que não se trata de coisa nova. O caso Lemann, Sicupira e Telles, que também envolveu dezenas de bilhões de reais, sumiu do mapa (…) Muito acima das Lojas Americanas, esse grupo pertence à 3G Capital, com sede em Luxemburgo, um paraíso fiscal, fora de alcance. Não é antigo: a Polícia Federal apontou que a fraude foi orquestrada pela antiga diretoria entre 2016 e 2022, resultando em operações contra ex-executivos. Foi o tempo ideal para as falcatruas, com Paulo Guedes e a autonomia do Banco Central. Foi também quando foi gerado o caso Master. Porém, aparece quando é combatido”‘ .
Dowbor é cirúrgico ao apontar a dívida pública brasileira e a política de juros que incide sobre a mesma como pano de fundo e, por que não, incentivo ao ‘ganhar sem nada produzir’:
“As fortunas continuam, mas as bandidagens em outra escala têm suficiente força para torná-las legais. Para as pessoas se darem conta da dimensão, os juros de 15% sobre a dívida pública (hoje 14,75%, como se fosse “técnico”) representam um gigantesco dreno sobre nossos impostos, da ordem de R$ 1 trilhão, cerca de sete vezes o Bolsa Família. Aqui, grupos financeiros que realizam o essencial das aplicações ganham dinheiro legal de mão no bolso. Pensem que R$ 1 bilhão aplicado nos títulos da dívida pública rende R$ 400 mil ao dia, sem precisar produzir nada. Em um ano, R$ 150 milhões” .
Em sua coluna o renomado economista, que é cosignatário de um manifesto que reúne os maiores especialistas e juristas do país contra a PEC 65/2023 (que entrega o Banco Central, de vez, aos interesses do mercado financeiro), fala ainda sobre dólar, financiamento da guerra entre EUA e Irã, emissão de moedas, a relação entre políticos e banqueiros, lucros dos bancos e vários outros fatos e curiosidades relacionadas ao tema. (veja abaixo)
Assuntos que são abordados desde longa data, pela ACD, em sua luta para ‘desembaraçar’ essa extensa e complexa engrenagem, na realização da auditoria cidadã da dívida pública brasileira, interna e externa, federal, estaduais e municipais, proporcionando mais transparência, e, também, na defesa da implementação de uma política de limite de teto de juros no Brasil.
Leia o texto completo de Ladislau Dowbor, clicando aqui.
E você também pode aprender sobre como funciona o sistema da dívida e quais são os impactos na vida dos brasileiros, em um novo curso EAD lançado pela ACD:
“O SISTEMA DA DÍVIDA NO BRASIL E A NECESSIDADE DE AUDITORIA INTEGRAL”.
