Redução pífia, diz Fattorelli sobre queda de juros anunciada pelo BC
“Uma redução pífia, que nos mantém como campeão mundial em juros reais e que continua beneficiando, exclusivamente, os bancos e instituições financeiras, disse a coordenadora nacional da Auditoria Cidadã da Dívida (ACD), Maria Lucia Fattorelli, ao tomar conhecimento do anúncio na ‘redução’ da taxa de juros pelo Banco Central, na noite desta quarta (06)”, em Brasília.
A decisão, por unanimidade, do Copom (Comitê de Política Monetária, composto pela Diretoria do Banco Central), foi pelo corte na taxa básica de juros em 0,25 ponto percentual, agora em 14% ao ano. Segundo informações do site Infomoney, ‘a variação no preço do petróleo, os juros nos EUA e inflação vão ditar se haverá, no futuro, novos recuos ainda neste ano’. https://www.infomoney.com.br/economia/copom-petroleo-juros-nos-eua-e-inflacao-vao-ditar-se-havera-mais-cortes-na-selic/
Como ressaltou Fattorelli, essa “queda” completamente irrisória mantém o Brasil no topo do ranking de juros juros reais (ou seja, descontada a inflação), de 8,94% ao ano, em comparação aos demais países, à frente até mesmo da Rússia (em guerra, com 7,55%) e Turquia (3,98%), enquanto os Estados Unidos praticam a taxa real de 0,24%, a Zona do Euro -0,49% (negativos), o Japão -0,69% (negativos) e a Argentina -3,37% (negativos). https://clubedospoupadores.com/ranking-juros-reais
“Isso faz com que os bancos ganhem rios de dinheiro às custas do Banco Central (ou seja, às custas do povo), que remunera a sobra de caixa deles com a “Taxa Selic” ou até mais (a “Bolsa Banqueiro”). Desta forma, os bancos só se interessam em emprestar a pessoas ou empresas a juros estratosféricos, sufocando a economia real, as famílias e os pequenos negócios”.
Alta taxa de juros impulsiona a desindustrialização do Brasil
No embalo da má notícia, Maria Lucia Fattorelli lembrou de outro fato recente, divulgado pelos principais portais de notícias do país e também pelos canais da ACD, dando conta da aceleração na retração na indústria brasileira. https://auditoriacidada.org.br/conteudo/acd-aponta-alta-taxa-de-juros-em-queda-do-brasil-no-ranking-de-crescimento-industrial/)
“O Brasil vive uma situação gravíssima nesse insistente processo de desindustrialização e grande parte dessa culpa é da política de juros aplicada pelo BC, pois a indústria não resiste onde os juros são altos demais, disse
E explicou, indicando também os impactos seguintes, em um verdadeiro ‘efeito dominó’:
“O processo industrial é longo, exige financiamento e se torna insustentável. Nisso, quem perde, obviamente, é a economia, pois os empregos que remuneram melhor estão na indústria. O efeito dominó ocorre pois outros setores são impactados. A educação, por exemplo, é puxada pela indústria, que exige formação técnica e profissional. Com a queda da demanda industrial, vem a precarização na área da educação, levando ao atraso tecnológico, em função da redução de investimentos em pesquisas e tecnologia. Finalmente, sofre a soberania nacional, pois quando um país não produz o que necessita, automaticamente sobe o volume de importações, bem como a vulnerabilidade.
Neste último ponto, Fattorelli aponta a questão dos adubos como exemplo:
“O Brasil já teve várias fábricas de adubos, a Petrobras tinha, a Valle tinha, e acabaram privatizadas e fechadas. Desde então, passamos a importar praticamente todo o adubo necessário à nossa agroindústria e, com a guerra na Ucrânia, acabamos ficando ainda mais vulneráveis neste setor.
A ACD, junto com várias entidades, apresentou – por meio da Comissão de Legislação Participativa da Câmara – o Projeto de Lei Complementar (PLP) 104/2022, pela limitação dos juros de quaisquer empréstimos (inclusive do cartão de crédito) a 12% ao ano, além de acabar a chamada “Bolsa Banqueiro”. A proposta, entretanto, está ‘parada’ no Congresso Nacional.
Com apenas um clique, saiba mais e divulgue em suas redes sociais, para nos ajudar a pressionar o presidente da Câmara, Hugo Motta, pela tramitação e inclusão do PLP 104/2022 na pauta de votações.
